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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

And the Oscar goes to...

Por: Zezé Brandão

Futuro candidato aos prêmios Jabuti, Kikito e reforma da Casa Branca pelo Luciano Huck, Barack Obama abriu sua temporada de caça aos prêmios internacionais logo com o mais prestigioso de todos, o Nobel. E, rsrsrs, foi ganhando justamente o da Paz.

Não exatamente patrocinador, mas animador de duas guerras, a do Afeganistão e a do Iraque, Obama parecia meio constrangido quando veio a púlpito e a público agradecer o laurel. Provavelmente estava mais surpreso do que nós.

O mundo, diante do poderio dos Estados Unidos, apressou-se em justificar que o prêmio vinha mais como uma sugestão de comprometimento do presidente americano com a paz do que propriamente como um reconhecimento pelo seu esforço – dada a ausência de resultados de sua gestão na área, tal seria se esse Nobel tivesse a intenção de reconhecer alguma coisa.

Mas o Nobel, criado justamente por um cara que contribuiu como ninguém para a destruição, embora imensamente prestigiado pelo seu poder midiático e também pela generosidade da grana que oferece (não, Obama não mandou Michelle às compras com a dinheirama nem comprou armas para aumentar o poder de fogo dos Estados Unidos no Iraque – doou a instituições de caridade), é um prêmio político na sua essência e frequentemente injusto, exceto para os que o ganham.

A Real Academia Sueca costuma puxar o saco de presidentes americanos – três já venceram e um vice que quase chegou lá, mas foi roubado por Bush, também. Premiar Obama por suas possíveis intenções é só mais um devaneio do prêmio – originado no rastro da dinamite, o Nobel talvez queira ser apenas o que acaba sendo: um prêmio realmente explosivo – na explosão da venda de livros dos desconhecidos que ganham na Literatura, na explosão do prestígio e no valor dos patrocínios dos que ganham em Medicina, Economia, Química e Física – os cachês de palestrantes nobeliados sobem à estratosfera. E mais explosivo ainda para os ganhadores da paz que, salvo as exceções de praxe, continuam explodindo tudo que eles acreditam que deva ser explodido.

Barack Obama tem alguns anos para demonstrar que seu Nobel foi justo. Se não o fizer, tem sempre a chance de ganhar o Oscar de melhor cara de pau – por não ter tido a humildade de delicadamente recusá-lo se não tinha a plena convicção, o apoio e os meios para promover aquilo pelo qual foi premiado: a paz num mundo em que os Estados Unidos, ao longo dos anos, têm contribuído fartamente para conturbar.


Pensando melhor, quem sabe esses países nórdicos, com seu raciocínio polido e cheio de mesuras, resolveram dar o Nobel ao presidente Obama como consolação por ele ter perdido de Lula, em Copenhague, a sede das Olimpíadas.

Zezé Brandão é publicitário, sócio da Limonada Publicidadee co-autor do livro A Vida Não é Um Limão, A Vida é Uma Limonada.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

E que o Rio de Janeiro continue sendo...

Por: Zezé Brandão

Cartas de leitores na Folha de São Paulo se mordem de ódio. Como continuar alimentando o complexo de vira-latas que cultivam como flores de estufa depois do triunfo do Rio de Janeiro em Copenhague? Como manter o velho orgulho de pertencer e ajudar a construir com sua mediocridade o país de segunda classe que amam diminuir, humilhar e ridicularizar? Em nome de argumentos patéticos – com o dinheiro das Olimpíadas deveríamos construir hospitais, estradas, escolas, etc. – no fundo apenas demonstram a amargura de uma vitória brasileira com a qual não contavam e contra a qual torceram como no avesso de uma Copa do Mundo.
Se esses argumentos valessem, aqui, na China ou em Londres, por que fazer uma festa -- de aniversário, religiosa, carnaval ou casamento – se tanta gente passa fome, tem necessidades mínimas ou morre nas filas da saúde pública? Por que comemorar seja lá o que for, ser feliz ainda que momentaneamente, se há dor e miséria, choro e ranger de dentes, distribuidos aleatoriamente por toda a humanidade.
O Rio de Janeiro deveria ser um exemplo para o Brasil. Um exemplo para os espíritos estreitos e azedos – aqueles que batem com o cabo da vassoura em seu próprio teto contra o chão do apartamento de cima que se diverte com a música alta, o riso e a festa.
Quando a capital da República foi transferida para Brasília, há 50 anos, o Rio começou a ser estrangulado, humilhado, desprezado, submetido a um destino que não era o seu, de decadência, pobreza, violência e abandono. No entanto, manteve o sorriso, os braços abertos, a alegria de uma cidade iluminada, maravilhosa, que nasceu para festejar, brincar, viver. Como se os cariocas acreditassem que um dia o destino mais sonhado pelos turistas nos anos 50 resurgisse como uma manhã de sol – talvez o fato de, de fato, acreditarem, tenha levado os votantes daquela tarde em Copenhague a recusar, por imensa maioria, Chicago, Madri e Tóquio em favor do Rio.
A escolha do Rio de Janeiro, independente do carisma de Lula, das promessas sutis pela presença do presidente do Banco Central, da delicadeza do filme de Fernando Meirelles, do empenho do mago Paulo Coelho e do eterno encanto que Pelé exerce nos corações internacionais, vem como uma espécie de recado a todos os brasileiros: o gigante acordou. Espreguiçando-se alegremente à beira do berço esplêndido, depois de um sono de 500 anos, o Brasil prepara-se para ser o país a que se sempre esteve “condenado” – o país do futuro, já que, contra todos os pessimistas, os derrotistas, os que remam ao contrário, os que torcem pelo pior, os que erguem a bandeira da vira-latice, o futuro chegou. Iluminado, entre outros holofotes, pelo sol do Rio de Janeiro.

Zezé Brandão é publicitário, sócio da Limonada Publicidade e co-autor do livro A Vida Não é Um Limão, A Vida é Uma Limonada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Será que a cidade entra nos trilhos?

Por: Zezé Brandão
Sapo de fora não chia. Ou chia? Que me importa, vou chiar – e não quero ter razão, quero apenas ser feliz, ainda que só dizendo o que penso.
Não sei quase nada a respeito da tal retirada dos trilhos da EFA. Não sei se a cidade está mobilizada ou se mobilizando. Não sei se as autoridades municipais estão tratando disso com seriedade ou à la legére. O que eu sei é que talvez nada tão importante tenha acontecido ou esteja para acontecer em Araraquara nos últimos 100 anos. Pode até parecer bobagem que a simples retirada de uns dormentes e alguns quilômetros de ferro possam significar alguma coisa para a cidade. No entanto do que se trata é de uma interferência urbana que poucas cidades experimentarão.
Alguns encaram a presença dos trilhos ali como uma espécie de divisão da cidade em duas. Outras não têm essa impressão. Eu, pessoalmente, nunca pensei no assunto. Mas o que sei é que a retirada significa a agregação de uma área urbana, em pleno centro, simplesmente espantosa. A área é imensa, com total acessibilidade da população a partir de qualquer ponto da cidade. Portanto, o destino que se pode dar a essa área diz respeito a moradores, visitantes, autoridades, sapos de fora e todas as próximas gerações de araraquarenses. Daí a responsabilidade que o assunto mais do que merece, exige, pede, clama.
Na minha ingenuidade de cidadão que deixou a cidade há quase 40 anos, mas jamais cessou de desejar para ela só o melhor, eu sonharia com um concurso internacional entre urbanistas/arquitetos/paisagistas. Que viessem projetos com o frescor de experiências utópicas. Que surgissem propostas práticas estético-culturais nas quais nunca tivéssemos pensado. Que aparecessem idéias exóticas, delirantes, improváveis, inexequíveis. Que nos abrissem a cabeça com soluções que jamais imaginamos.
Não acho que não existam em Araraquara talentos capazes de pensar essa área com imaginação, bom senso e bom gosto. Mas acredito que só uma troca com pessoas que recriaram Barcelona, que ousaram em Buenos Aires, Bilbao, Nova Iorque, Paris e Cingapura, teria a dimensão de dar à area dos trilhos um pensamento urbanístico voltado para o futuro da cidade. Qualquer escritório internacional teria interesse em participar dessa discussão estimulante e rara. E isso contribuiria imensamente para tirar o foco provinciado que a questão corre o risco de se tornar, dando a ela o enfoque merecido e justo de um acontecimento que pode dar ao perfil de Araraquara um contorno contemporâneo e, sobretudo, voltado para o amanhã.

Zezé Brandão é publicitário, sócio da Limonada Publicidade e co-autor do livro A Vida Não é Um Limão, A Vida é Uma Limonada.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Lei é seca, mas a Lei, ora a Lei...

Por: Zezé Brandão


Somos, definitivamente, o país do exagero. Exageradamente afetivos, exageradamente técnicos de futebol, exageradamente corruptos, exageradamente sem auto-estima. E de uns tempos para cá, exageradamente aferrados a leis tão severas, tão punitivas, tão completamente legais que nem podem ser cumpridas.

Dados recentes revelam que mais de 80% das pessoas pegas nos arrastões armados pela chamada Lei Seca – essa mesma que proíbe tomar dois copos de chopp e sair dirigindo – saem impunes da acusação de dirigirem embriagadas. Como? Por que?

Simples: a lei antiga dizia – ok, subjetivamente – que dirigir em estado de embriaguez tornava o indivíduo passível de sanções penais (até mesmo condenação por homicídio culposo, se não, doloso). E embora “estado de embriaguez” tenha lá sua dose (várias doses, no caso) de subjetividade, os próprios policiais ou outras testemunhas podiam confirmar o tal estado do infeliz que provocou o acidente.

Já com a nova lei, estabeleceu-se a quantidade de bebida que provoca a irresponsabilidade do motorista: os dois chopps, a dose de uísque, as duas cervejas, as inocentes duas tacinhas de vinho, e por aí. Só que como ninguém é obrigado a se submeter ao bafômetro nem ao exame de sangue, pois ninguém pode ser obrigado a produzir provas contra si mesmo, quem prova que eu bebi só um uiscão calibrado ou a garrafa toda? Não importa a língua enrolada, o trançar de pernas ou a baba grossa na gravata. Nem mesmo uma vomitada sem querer na cara do guarda pode ser usada como prova de que você passou da conta e, portanto, violou a lei – basta ter-se recusado a passar pelo bafômetro e encolher o braço gritando na delegacia que morre de medo de sangue, e que ninguém vai tirar uma gotinha do seu. Pronto, você sai livre como um passarinho. E trançando as pernas vai dormir em casa o sono dos justos, como se não tivesse atropelado e matado meia dúzia de passageiros que esperavam o ônibus às quatro e meia da manhã.

É a Lei Seca. Seca de bom senso, seca de sabedoria, seca de aplicabilidade. No resumo da ópera, com a nova lei não podemos beber mais do que um copinho ou dois, mas fora a improvável hipótese de você estar bebendo ao lado do guarda que vai autuá-lo, quem vai provar a quantidade exata que nêgo consumiu, a não ser o bafômetro ou o exame de sangue que ninguém é obrigado a fazer?

Enfim, no nosso exagero conseguimos ter a lei anti-álcool no trânsito mais severa do mundo. E também pelo nosso exagero conseguimos que ela não possa ser cumprida – graças a seu exagerado rigor.


Zezé Brandão é publicitário, sócio da Limonada Publicidade e co-autor do livro A Vida Não é Um Limão, A Vida é Uma Limonada.


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

MARINA VOCÊ FAÇA TUDO MAS FAÇA O FAVOR.

Por Zezé Brandão


Marina Silva sai do PT, adentra o PV, vira candidata e joga folhas de seringueira no ventilador do Lula, da Dilma e de quem mais estiver no caminho.

Marina Silva dificilmente será a próxima presidente do Brasil. Isso exigiria alianças as mais escusas possíveis, leilões de cargos, promessas, concessões que Marina jamais faria.

Não tem a menor importância a elegibilidade dela ou não. A importância da candidatura Marina será, se for, um fato que vai obrigar os concorrentes, Dilma, Serra e quetais, a encarar com seriedade a questão do meio ambiente ainda que esse encaramento ( no caso, talvez, descaramento) não passe de promessas que ninguém cumprirá exceto Marina que, no mínimo, tentará.

Quem ouve uma vez um discurso de Marina jamais esquece. Algo profeta, algo messiânica, sem inflamação, sem a fúria endemoniada de um Collor, ela atira as palavras como flechas certeiras. Ela fala das gerações que estão por vir enchendo os corações da platéia de uma culpa saudável porque cria a urgência da ação, a responsabilidade pelo futuro, a necessidade da atitude, aqui, agora, sem desculpas, sem tempo a perder.

Com emoção, delicadeza e profunda poesia, Maria fala de rios que correm dentro de nós, de veios e subsolos, de sustentabilidade, de florestas, de pássaros, de oceanos e filhotes que não terão mães para amamentá-los, extinguindo-se à míngua à beira de usinas apressadas que nem se sabe se servirão para alguma coisa.

Não, Marina Silva ao menos essa é a minha impressão pessoal não é uma fanática que deseja que voltemos todos à condição de índios; ela não prega o fim do progresso nem o fim da produção de energia elétrica ou novas estradas. Ela prega, com sua voz pequena, a extrema magreza de quem viu a fome de perto, que homem e natureza convivam com respeito e que todos nós reflitamos e repensemos o país como se houvesse amanhã.

Nem o Brasil nem o mundo estão preparados para ouvir essa voz solitária. Mas, se de fato ela for candidata à presidência da Republica, seremos obrigados a ouvir um discurso a que não estamos acostumados. O discurso da vida, da preservação, do futuro. E da viabilidade do planeta diante das evidências do fim. Aos outros candidatos caberá encaixar, ainda que artificialmente, palavras mais doces em seus comícios furiosos, porque espadas ferem, mas são impotentes diante da poesia.


Zezé Brandão é publicitário, sócio da Limonada Publicidade e co-autor do livro A Vida Não é Um Limão, A Vida é Uma Limonada.



sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sobre putas e lipos.

por Zezé Brandão


Em seu artigo semanal na Folha de São Paulo, o psicanalista Contardo Caligaris questionou o interesse de parte da imprensa italiana pela vida sexual do premier Silvio Berlusconi. O argumento dele, que detesta o Berlusconi, é que se as putas do homem não interferem na governabilidade do país, ninguém tem nada a ver com o que ele faz, ou não faz, entre quatro paredes.

Está aí embutido um questionamento que provavelmente surgiu junto com o Guttemberg: até onde a imprensa tem o direito de ir em se tratando de investigar a vida de pessoas públicas. E pior: até onde tem o direito de divulgar os fatos que descobre, às vezes por meios escusos, quando esses fatos não dizem respeito, não prejudicam ou nada significam em relação à atividade que tornou a pessoa relevante para uma determinada comunidade – seja uma sociedade, um condomínio, um país ou um clube?

É o caso da lipoaspiração do Ronaldo. Que ele se submeteu ao procedimento, parece ser um fato – vindo à tona sabe-se lá por que rede de indiscrições. Mas o que isso tem a ver com a performance do jogador, com sua capacidade, ou não, de fazer gols? O que a torcida do Corinthians e os leitores do Estadão e a favela da Rocinha e os moradores do Oiapoque (lá tem moradores?) têm a ver com isso?

Explicar a cirurgia da mão, contar os pinos, apresentar o cronograma da recuperação, sim, é obrigação da imprensa: a fratura se deu em campo, a consequência era o afastamento do cara de algumas partidas do Curingão. Portanto, o assunto, relevante para a torcida, para os fãs de Ronaldo, para o clube, merecia, como mereceu, ser detalhado, esmiuçado, publicado com todas as letras.

Mas a lipoaspiração? Francamente! Se ele não chamou a imprensa para uma coletiva, se ele não convocou as colunas de fofocas, se ele preferiu a discrição, que direito temos de questionar uma cirurgia estética hoje tão corriqueira e, pior, transformar um direito, uma escolha pessoal, em motivo de chacota?

Quando a Suzana Vieira, em pessoa, apresenta seu namorado de vinte e poucos anos à imprensa e diz que pretende ter um filho com ele, OK. Embora seja um fato irrelevante para a carreira ou para a performance dela como atriz, a simples decisão de querer que todos nós saibamos que ela namora um garotão é, em si, a notícia. Mas o Fenômeno se submeter a uma lipo em segredo não é notícia. É fofoca, velhacaria e pura e simples invasão de privacidade. Esse tipo de jornalismo antigamente era designado por uma cor: a cor marrom.


Zezé Brandão é publicitário, sócio da Limonada Publicidade e co-autor do livro A Vida Não é Um Limão, A Vida é Uma Limonada.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Preeenchendo buracos ou coluna sobre o nada

- “Para plenário vazio, Sarney diz que é perseguido pela imprensa e receita silêncio”
- “Mulher de Kaká abrirá igreja na Espanha”
- “CENSURA:
Juiz proíbe que
José Simão fale
de Juliana Paes”

Eu tentei escrever uma coluna para hoje mas sobre certas coisas é melhor que nos calemos.

Não há mais nada a se dizer de José Sarney.
Não consigo imaginar algo de útil ou sobre o José Simão tampouco sobre a Juliana Paes. Que dirá sobre o Juiz.
Confesso que sobre o Kaká, devo admitir um erro de julgamento ao longo de anos: Achei que ele dava dinheiro a Deus aos montes. Me corrijo. Ele é sócio do Senhor. Bom negociante, o menino.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Será que nêgo foi mesmo à Lua?

por Zezé Brandão


Quando você vê filmes como “O Dia Depois de Amanhã”, “Eu Sou a Lenda”, “Marte Ataca”, “Guerra nas Estrelas”, “2001” e mais milhares de outros desse mesmo tipo, produzidos pelos americanos às pencas, e há décadas, você tem todo o direito de se perguntar se esses gringos pisaram mesmo na lua em 1969, ou se somos todos vítimas de uma farsa que perdura há quatro décadas.

Pelo mundo afora, grupos, alguns organizados em comunidades na internet, baseados em argumentos ora sólidos, ora frágeis, discutem as possibilidades, para eles bem reais, de termos todos sido enganados pelo que eles chamam de “factóide Apollo 11”.

Da maneira como tremulou a bandeira americana fincada na lua – bandeira tremula no vácuo? – à, garantem, improbabilidade de seres humanos sobreviverem àquele ar (falta de) rarefeito, motivos não faltam aos descrentes (quiçá aos realistas) para suspeitar que tudo não passou de uma demonstração de poderio dos Estados Unidos ante à agressiva conduta da União Soviética em relação à corrida espacial. Pousar homens na lua, que caminhariam sobre aquele solo e hasteriam as “stars and stripes forever”, tremulantes de patriotismo, mostraria aos russos, e ao mundo, que a América não era fraca, não.

E o efeito desejado foi atingido em cheio. Se nossos queixos cairam, imagine os dos russos. Aliás, a União Soviética foi ficando tão jururu depois que perdeu o bonde da lua que 20 anos depois já nem era mais a União Soviética.

Agora, fala sério: com a precariedade da tecnologia televisiva dos anos 60 (por aqui nem era colorida) e a crença mundial de que os Estados Unidos eram capazes de tudo – só agora essa crença desmoronou –, que dava para montar um espetáculo daqueles em estúdio, ah, isso dava.

Pensando bem, tanto faz se os americanos pisaram ou não na lua em 1969. Se foi só uma fraude, convenhamos que o segredo ficou muito bem guardado. Se foi verdade, o que é que nós ganhamos, ou perdemos, com isso? Mas, pensando melhor, o quê mesmo eles foram fazer lá, fora o fato de encher profundamente o saco da União Soviética?


Zezé Brandão é publicitário, sócio da Limonada Publicidadee co-autor do livro A Vida Não é Um Limão, A Vida é Uma Limonada.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

DO SENADOR PEDRO SIMON:


"Sou obrigado a reconhecer que, com toda a corrupção que teve de um tempo para cá, o que encontramos no governo Collor deveríamos ter enviado para o juizado de pequenas causas".

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pra não dizer que não falei de flores

Por Zezé Brandão

Rios de tinta, florestas de papel vêm sendo gastos para nos espantar, estarrecer, chocar todos os dias, a cada jornal da manhã, com os escândalos do Senado presidido pelo sr. José Sarney, eleito pelo Amapá e membro da Academia Brasileira de Letras por suas contribuições lítero/humanistas por um mundo melhor, mais sensível e mais delicado.
Fora o fato de presidir um senado podre, corroído pela imoralidade, assentado sobre a falta de ética, de compostura, de educação, de honestidade e de bom senso, resta o fato de ser ele mesmo, o sr. José Sarney, protagonista de escândalos pessoais – nomeações de parentes, mansão não declarada, auxílio moradia irregular e mais milhares de etcéteras. E esse é o fato: o ex-presidente da República, esse homem incomum, não deveria estar causando nenhum espanto na opinião pública nem motivando esses rios de tinta e florestas de papel que denunciam suas falcatruas. Olhem para o Maranhão e concluam comigo: alguém que reina soberano, ele e sua família, num Estado que tem o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano do país, pode prestar? Que estofo tem esse homem? De que matéria é feita esse homem?
Há bem mais de meio século os Sarney mandam e, principalmente, desmandam; pintam e bordam (as próprias paredes e almofadas) no Maranhão e mantêm o Estado numa situação de penúria e subdesenvolvimento que joga para baixo todos os índices do Brasil – da mortalidade infantil à renda per capita; do número de analfabetos à expectativa de vida. Essa é a contribuição do sr. Sarney à história brasileira: mostrar ao mundo a face mais miserável do país e orgulhar-se de ter ajudado a escrever essa história explorando a pobreza, a ignorância, a humildade de um Estado tão lindo que ele condenou a não ter futuro. As placas, avenidas, palacetes, memoriais, aeroportos que ostentam os nomes reluzentes da família Sarney estão todos lá, escancarados Maranhão afora, como provas incontestes de que aves de rapina, predadores, coiotes famintos passaram por lá – e todos com o mesmo sobrenome: Sarney.
Com esse passado por que deveríamos esperar do sr. José Sarney algum tipo de decência? Denunciá-lo por qualquer coisa é uma enorme perda de tempo e de tinta, etc. Sua história já estava escrita muito antes de ele chegar, pela terceira vez, à presidência do Senado brasileiro. O dono do mar(anhão) sempre foi transparente. Só não viu quem não quis.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Dona Encrenca: Futebol com política

Estava eu a navegar na internet, quando fui supreendida pela seguinte matéria no portal UOL: “Corinthians oferece apoio a Dilma por ajuda de Lula em estádio”
Li o texto e confesso que me senti mal. Não por não se tratar do meu time do coração, mas pela falta de pudor com que as coisas acontecem aqui, neste país. A sensação que tive foi que o “voto de cabresto” vai custar muito caro nas próximas eleições à presidência. A diferença é que a compra não será com os programas federais, como o Bolsa Família; a moeda agora é estádio de futebol. Coincidência ou não, o Corinthians é o time para o qual nosso digníssimo presidente torce. Time que tem uma verdadeira legião de seguidores, a maior torcida do estado de São Paulo e uma das maiores do Brasil. 
A proposta é mais ou menos assim: o Lula “dá uma força” para a construção da “casa própria” do Corinthians com a facilitação de empréstimos no BNDES, por exemplo, e, em contrapartida, o clube apoiará a candidatura da atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da república, em 2010. Se analisarmos com o olhar político, é um tremendo esquema! Um clube que hoje tem mais de R$ 100 milhões em dívidas conseguirá um empréstimo sem muitos problemas em troca de votos. Porque, se trocarmos em míudos, é essa a conclusão. E olha que a Dilma é torcedora do Internacional...
Verdade ou não, dizem que o São Paulo conseguiu sua arena assim, com doações um tanto quanto estranhas do governador do estado de São Paulo na época, e também presidente do SPFC, Adhemar de Barros. E, vejam, isso foi em 1950. Na época, foi um escândalo que não parou por aí, continuou com o político ligado a Adhemar, Laudo Natel, que de tesoureiro do clube, em 1966, chegou à presidência do mesmo em plena ditadura militar, período em que Adhemar, seu mentor, foi cassado por corrupção. E até hoje não se explica a origem do dinheiro que levantou um dos estádios mais modernos de todo o Brasil.
Acho que todos nós podemos refletir sobre o que acontece no nosso país, com o nosso dinheiro e sobre o tipo de interesse do homem (ou a mulher) que colocamos no poder para representar nossos interesses e até que ponto esses interesses são nobres e de cunho coletivo. Acredito ser um absurdo o digníssimo presidente Lula, em pleno período de exercício político, em que de deveria estar cuidando de toda uma nação, ficar fazendo “permuta” de votos com time de futebol.

É brincadeira, amigo?!
 Desabafei! Pronto!

Marina Chiolino é diretora comercial da revista Boemia, palmeirense VERDE e adora uma encrenca!
marina@paginatres.com.br